Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
O povo argentino não se rende. Macri conseguiu parar o país.
18 de dezembro de 2017 Artigos
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

O povo argentino não se rende

 

Macri conseguiu parar a Argentina

Nesta 2a. feira, 18 de dezembro, voltam à praça do Congresso, com maior força , as centenas de milhares de cordões operário-sindicais, dos movimentos sociais, dos anciãos, de bairros, partidos de esquerda, funcionários públicos,  das Centrais Sindicais combativas, das duas CTAs, da CGT, bancários, professores, metalúrgicos, estudantes, jornaleiros, todos, invisibilizados e impedidos de entrar na praça há 4 dias, mas convictos de que suas vozes soaram no recinto parlamentar mais alto que os balaços da “gendarmeria”. Soma-se a isso, a decisão da burocracia do  triunvirato da CGT de convocar uma Greve Geral Nacional a partir das 12 horas do dia da votação em repúdio à Lei do “saqueio” da previdência. O povo argentino não se rende. É o mesmo que com uma multitudinária manifestação, meses atrás, derrotou no parlamento, por unanimidade, a ordem judicial que tentou aplicar o tal do 2x1 que anistiava genocidas da ditadura.

Este novo dia de luta, com um desencadear imprevisível, após a dura batalha do dia 14, marcado por uma vitória ainda que parcial do movimento popular, converge de um balanço de fatos e reflexões para o passo a passo das estratégicas que os trabalhadores e as forças progressistas estão realizando em reuniões diante da investida violenta do poder hegemônico vigente.

O terror embutido no neo-liberalismo

O terror do dia 14 de dezembro, é a ponta do iceberg da política econômica de um governo, que alarga o abismo entre ricos e pobres que necessita impor-se pela força. Não é casual que uma das primeiras medidas foi a espantosa compra de armamentos dos EUA, que hoje abastece a gendarmeria como corpo repressivo; sua função seria defender as fronteiras contra os inimigos da soberania nacional, mas não: mata cidadãos inocentes como Santiago Maldonado e o mapuche Rafael Nauhel. O Judiciário que defende o grupo oligárquico-financeiro de poder, os respalda e manda prender Milagro Salas, persegue Cristina Kirchner, prende ex-funcionários do governo kirchnerista (já são 8 presos políticos). Houve uma reflexão popular que circulou: “Agora que você viu como atua a gendarmeria, no centro da capital diante de toda a mídia, você pode imaginar como Santiago Maldonado se afogou sozinho”. Num ato de terror de Estado, fracassou, por enquanto, a tentativa de impor um poder sobre o outro, blindando o Parlamento inconstitucionalmente, provocando uma violência alheia aos manifestantes. O fato de escancarar midiaticamente a brutalidade da ação policial, é parte da intimidação, a que o cidadão comum não ouse aliar-se ao protesto social. Provocar com a violência a reação dos manifestantes pacíficos, ou em alguns casos infiltrar “mascarados” ou “black-blocs”, também é parte da estratégia para sustentar o falso discurso dos governantes de Cambiemos: “Não podemos seguir com a sessão plenária na Câmara diante desse clima de violência (culpando os manifestantes)” (da Deputada do inter-bloque Cambiemos, Elisa Carrió). Ou “a violência impediu o diálogo”... “os deputados piqueteiros da oposição... usaram da violência”. (do Chefe do gabinete de ministros, Marcos Peña). Não foi a violência que os freou, foi o povo na rua que os impediu seguir na farsa de um quórum inexistente.

A Argentina que vimos ontem, no chamado “dia da fúria”, um Congresso blindado, por um espantoso arsenal repressivo, atacando, à queima roupa, com fuzis de balas de borracha manifestantes que em milhares marcharam rumo à praça para defender o direito dos velhos aposentados, da pensão infantil, dos inválidos e pensionados de guerra (Malvinas) assombrou o país e o mundo. Imagens de tal truculência da chamada gendarmeria podiam confundir o telespectador mal informado sobre a Argentina atual de Macri; não era o Exército de Israel atacando indefesos palestinos. Tratava-se  da gendarmeria (polícia de fronteira, hoje utilizada para reprimir) acompanhada de pelotões da Polícia Federal, da Polícia da segurança aeroportuária e naval, isolando a Praça do Congresso nas suas adjacências, antes mesmo que se iniciasse a sessão plenária da Câmara dos Deputados para a votação da lei do “Saqueio” previdenciário. Cenas brutais de 60 gendarmes contra um único manifestante, ou 30 policiais empurrando no camburão uma jovem cidadã (diga-se de passagem, imigrante de origem brasileira) ao sair do trabalho, ou de jornalistas e fotógrafos baleados à queima-roupa (como Pablo Piovano do jornal Página12), 8 deputados opositores feridos, e 44 detenções, não era em Jerusalém, mas em Buenos Aires, que na década de Nestor e Cristina Kirchner conquistou espaços de memória, verdade e justiça pelos 30 mil desaparecidos na ditadura cívico-militar.

Porque a urgência, a fúria do governo nos ajustes? Como dizem os ladrões, todo assalto tem que ser veloz. Macri trata de calar urgente e brutalmente as vozes críticas para executar as ordens do pagamento da parcela dos juros das dívida externa ao FMI, aos abutres (data de vencimento: fim de 2017). Os saqueio do ANSES (INPS) de 100 bilhões de pesos, com a nova lei da aposentadoria, é o que serve ao FMI, já! Os dirigentes kirchneristas e jornalistas dos meios alternativos há muito vem alertando sobre o rumo perigoso do corte dos direitos democráticos e de expressão nos últimos tempos no país, para apagar a consciência popular, e desse modo, abrir alas aos ajustes, às leis de exclusão econômica dos de baixa e média renda.

Macri exibe músculos para ocultar seu fracasso social

O outro ponto, e que merece maior atenção, é que foi um início de uma derrota política de Macri, e uma batalha vencida pela união entre o povo na rua e a bancada parlamentar kirchnerista e da oposição. As grades da gendarmeria na frente do Congresso não puderam impedir essa energética simbiose. O agressivo presidente da Câmara, Emílio Monzó (Cambiemos), teve que suspender a sessão graças à firmeza dos deputados da FPV e da oposição que desmascararam o quórum falsificado, com 2 deputados fraudulentos, inabilitados por não terem sido empossados. Num bate-boca aguerrido no recinto parlamentar, os deputados opositores, com 8 deles feridos pela Gendarmeria, por defender o povo na praça, conquistaram a suspensão da votação, ao som dos balaços de borracha e gás lacrimogênio que a política atirava fora do Congresso, contra os manifestantes. A estes deputados, o ministro de Macri, Marcos Peña, chamou de “deputados piqueteiros”. Graças ao aguerrido povo argentino mobilizado nas ruas, se impôs esta primeira derrota parcial à lei da previdência.  O governo Macri, mostra músculos, quando acaba de fracassar na OMC, de onde saiu de mãos abanando.

Após tal fracasso parlamentar, Macri, com o apoio unânime dos seus ministros, tentou impor a Lei da Previdência com um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU). Porém, isso pôs à luz, uma diferença interna na área da frente “Cambiemos”, com o desacordo da deputada Elisa Carrió que já lhes havia criado um problema na Plenária ao revelar que estavam em minoria e não havia o quórum que o presidente da Câmara (do Cambiemos) tratou de falsear com 2 deputados inabilitados. Carrió, é uma figura da direita, oportunista, mas com maior habilidade política que Macri e os empresários-financistas de Cambiemos; este já perde o apoio da Frente Renovadora, do ex-deputado Sérgio Massa, cuja base social é a pequena e média indústria e comércio, que se opõe à Lei da Previdência, e desta vez, une-se ao bloque kirchnerista da Unidade Cidadã e FPV,  ao lado de todos os partidos de esquerda. Macri, reuniu-se com seus governadores de províncias, e outros do Justicialismo (PJ) recatando-os com subornos para conceder fundos às suas administrações provinciais em troca de quórum e votos dos respectivos deputados  para a lei da previdência. Desta forma, se reabre a Câmara dos Deputados, nesta 2a. feira para a votação. Os poderes Executivos da Nação e das Províncias se sobrepõe ao Legislativo eleito pelo povo. Há 2 anos não se sabe onde foi parar a Constituição. Não será fácil impedir a lei do saqueio da previdência. Mas, o povo está na rua e há greve geral nacional. Lei ou não lei, o embate continua.

O fato mais importante na Argentina hoje é esta Frente Única que se está formando entre todos os partidos de esquerda junto à Unidade Cidadã e ao kirchnerismo, e o protagonismo do movimento operário-sindical unificado conscientes de que aqui está em jogo a vida e o futuro dos trabalhadores, das instituições democráticas, da soberania nacional e da inteira região latino-americana.

17 de dezembro 2017

Publicado em: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/helenaiono/332823/O-povo-argentino-n%C3%A3o-se-rende.htm


{Acessos: 283}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Apoio incondicional à candidatura Haddad-Manuela e à coligação!
Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: