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O recado certeiro de Dilma ao sofrer o impeachment
25 de maio de 2017 Batalha de Ideias
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"Com a aprovação do impeachment pelo Senado, um grupo de políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da justiça chega ao poder unido aos derrotados das últimas quatro eleições.

Não ascendem ao governo pelo voto, como eu fiz, e como nós fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de estado parlamentar.

É o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante de oposição. O segundo, golpe parlamentar desfechado hoje, me derruba, por meio de uma farsa jurídica, do cargo para o qual fui eleita pelo povo.

Velha sina de um país em que as elites não respeitam a democracia. Dos 19 presidentes da República que o Brasil teve desde 1930, apenas oito foram eleitos pelo voto e, destes, apenas quatro terminaram seus mandatos. Mas 28 anos depois da edição da nossa Constituição-cidadã, eu cheguei a imaginar que os golpes de estado tinham ficado para trás.

Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada pelas leis criadas em meu governo e pela autonomia que dei à polícia federal e ao ministério público, leve ao poder justamente um grupo de corruptos investigados.

O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que eu represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, que vai capturar as instituições do estado para colocá-las a serviço do retrocesso político, do neoliberalismo econômico e do arrocho social.

Apoiada numa imprensa facciosa e venal, uma plutocracia predadora nostálgica da Casa-Grande acaba de derrubar um governo legítimo, comandado por uma presidenta da República que não cometeu crime algum que pudesse justificar sua destituição. Foi uma fraude, contra a qual ainda vamos recorrer em todas as instâncias possíveis.

Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática. O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos humanos em todas as suas acepções: direito ao trabalho, a uma correta remuneração e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito de se manifestar sem ser reprimido; direitos dos negros e dos povos indígenas; direito à livre expressão da sexualidade; e, sobretudo, direitos das mulheres.

Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta da Brasil, já haviam formado um ministério sem mulheres e sugerem aumentar o tempo de trabalho a ser exigido da mulher para se aposentar.

O golpe é misógino. O golpe é homofóbico. O golpe é racista. É a imposição da cultura da intolerância, do preconceito, da violência e do estupro.

Apesar de tudo, peço aos brasileiros que me ouçam. Falo aos 54,5 milhões que votaram em mim em 2014. Falo aos 110 milhões que participaram do pleito, avalizando a eleição direta como forma de escolha dos presidentes. Falo principalmente aos brasileiros humildes que, durante o meu governo, saíram da extrema pobreza, realizaram o sonho da casa própria, começaram a receber atendimento médico, entraram na universidade e passaram a ter direitos que este país sempre lhes negou.

Peço que ouçam o que tenho a lhes dizer: eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Nós estamos vivos. Nós vamos lutar. Nós moveremos contra eles a mais firme, severa e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.

Os inimigos do povo podem me enxergar derrotada, mas eu estou viva, de pé, forte e capaz de continuar lutando. Em outras trincheiras, em todas as trincheiras possíveis. Por mim, pela democracia e pelos direitos do povo.

Posso sentir medo, mas não fujo. Posso sofrer a pressão do desânimo, mas não desisto. Posso ser atingida pelo cansaço, mas não esmoreço. Eu ainda tenho a fibra e a disposição de luta dos que se sentem ao lado da razão. Tenho a força vital dos que sabem que vale a pena lutar. Carrego comigo o conforto de estar do lado certo da história.

Nós chegamos ao governo cantando juntos que ninguém devia ter medo de ser feliz. Por 14 anos, realizamos com êxito um projeto responsável pela maior inclusão social, distribuição de renda e redução das desigualdades da nossa história.

Garanto que não acabou. Não tenho dúvida de que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Nós voltaremos. Voltaremos para continuar a nossa jornada no rumo da emancipação popular.

Espero que saibamos nos unir em defesa de causas comuns a todos os progressistas, independentemente de filiação partidária ou posição política. Proponho que lutemos todos, juntos, contra o retrocesso, contra a agenda conservadora, contra a extinção de direitos, pela soberania nacional e pelo restabelecimento da eleição direta do presidente da República.

Quando cheguei ao governo, meu coração pulsava com valentia. Hoje, deixo o governo com o coração doído, por mim e por aquilo que temo que vá acontecer com o nosso povo. Mas saio como entrei: trago no peito o mesmo amor pelos brasileiros e a mesma vontade de continuar lutando.

Eu vivi a minha verdade. Dei o melhor de minha capacidade. Não fugi das minhas emoções. Me emocionei com o sofrimento humano, me comovi com a exclusão social, combati a desigualdade. Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que me venceram. A história vai ser severa com eles.

Saio hoje, mas não me entrego. Resisto, em meu nome, em nome da minha família, em nome das mulheres brasileiras, que me cobriram de flores e de carinho. Nunca esperem de mim que eu abaixe a cabeça. E garanto aos meus companheiros, aos meus parceiros e ao brasileiros: perdemos uma batalha, mas a luta continua. E eu tenho confiança de que podemos dizer “até daqui a pouco”.

Muito obrigada."

 

 

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