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O salto e os desafios do Encontro de Teerã entre os cinco países vizinhos ao Mar Cáspio
18 de julho de 2007 Artigos Edições Anteriores
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Basta um simples confronto para levantar a ira de Bush que ameaça o Irã com a terceira
guerra atômica mundial. Apesar de todos os preparativos, a conferência sobre o Oriente
Médio desejada pelo imperialismo americano, faliu devido à recusa do Egito e também
de Abu Abbas, da Autoridade Palestina, ao ver que o Hamas, a resistência libanesa e o Irã
a boicotaram. Enquanto isso, a Conferência dos Cinco em Teerã, constitui uma guinada
histórica que prepara um novo nível elevado na cooperação, integração e no progresso dos
países e dos povos da região contra todas e tantas tentativas imperialistas iniciadas na pós-
queda da Urss.

Não são os destruidores da Iugoslávia, nem os kossovaros como Bernard Kuschner ou
Sarko incendiário, mas Bush, pessoalmente, que declara a eventualidade da guerra atômica
como a última arma preventiva, antes que a influencia integradora do Irã se alastre ou que,
indiretamente, o Estado de Israel se derrube por implosão ou pela pressão generalizada
contra ele e pela sua impossibilidade de se reformar.

O Encontro dos Cinco em Teerã selou o fracasso do imperialismo na Ásia
Central e no Mar Cáspio

O Encontro de Teerã assinalou o fracasso dos planos de domínio imperialista na Ásia
Central e no Mar Cáspio, na sua tentativa de isolar e derrotar o Irã. O seu logro é o
lançamento imediato, e no futuro próximo, das cooperações e das integrações entre os
países do Mar Cáspio e uma tomada de posição nítida da Federação Russa contra as

chantagens e ameaças imperialistas; esta se sente empurrada à proteção e integração do
Irã, e dos países que até há pouco tempo pareciam ter se transformado em súditos do
imperialismo norte-americano.
Poderíamos indagar sobre as razões que conduziram a esta virada, mas o principal é
entender o que foi decidido nos dois dias do encontro, e nas duas horas de discussão direta
Rússia-Irã a portas fechadas, onde Putin teria feito propostas estratégicas aos iranianos,
e ainda não publicadas, e às quais Khamenei teria respondido: “Pensaremos!”. Ambas
as partes teriam declarado que não há nenhum limite ao desenvolvimento das próximas
colaborações e intercambiaram mil elogios e sorrisos.

Os seus comportamentos, a certo ponto, não pareciam ser de estadistas de alto escalão,
mas velhos amigos que se reencontravam. No início, meio contidos, mas logo em seguida
tudo eram abraços, provavelmente pela tranqüilidade e naturalidade de Putin que admira
o poeta, filósofo, matemático e astrônomo Omar Khyyam e a história do Irã. Demonstrou
saber que há toda uma parte do território da ex-Urss, da Índia e do Afeganistão que foram
do Estado iraniano e, na realidade, a língua persa era aquela oficial, do Estado indiano
dos Mogul, iraniano dos turcos e persas, e dos turcos otomanos, através da qual a poesia
e a literatura persa foi do domínio e uso público da Ásia menor ao subcontinente indiano.
Durante o colóquio entre Putin e Khamenei, quando este falava, Putin não deixava de sorrir
como se dissesse: “vai tranqüilo, manda brasa, não tenha medo!”. Os dirigentes iranianos
ofereceram o próprio país como sua própria casa. Mesmo sendo um ato formal, em sinal de
hospitalidade oriental e de uma antiga cultura internacional, simboliza a profundidade do
processo histórico, onde há um reencontro, uma integração e o empenho em estruturar-se
em um único processo. Prometeram de aumentar o valor de câmbio de 2 bilhões de dólares
anuais atuais para 200 bilhões dentro dos próximos 10 anos.

Apesar de que o tema central da reunião fosse a questão do Mar Cáspio, os Cinco
definiram alguns passos importantes bilaterais e trilaterais de alcance histórico, entre os
quais, a construção de uma rede ferroviária e de auto-estrada que liga o Kazakistão e o
Turkmenistão e o Irã ao litoral leste do Mar Cáspio; ela por sua vez se conecta à rede da ex-
Urss ao norte, à Turquia e Europa; e ao sul, se coliga ao Golfo Pérsico e ao Mar de Omman.
O Irã sob o domínio imperialista até a revolução islâmica, não havia nunca desenvolvido
uma rede ferroviária, essencialmente por questões geopolíticas e militares de contenção em
relação ao enfrentamento com a Urss. Era como se esta velha cruzada, dos contos de Marco
Pólo e do caminho da seda, fosse impedida e cada vínculo interrompido. Além disso, Putin
propõe a construção de um canal navegável que coligue o Mar Cáspio ao Mar Negro e ao
mar aberto, possibilitando o desenvolvimento do comércio em toda a zona. Isso é possível
ao norte da cadeia montanhosa georgiana e nas estepes meridionais da Rússia. Deverão
tomar decisões sobre isso. E porque não? Xerxes já não havia feito isso em Corinto,
cortando a Ática do Peloponeso? Já não o haviam feito os fenícios e Dario no Suez, e assim
por diante, até os soviéticos entre o Volga e o Don? Enquanto isso, decidiram de rever-se
a cada seis meses a nível de ministros do exterior e a constituir-se numa organização de
cooperação com encontros anuais de representantes de alto nível.

Nenhum uso militar do Mar Cáspio pode ser feito e nenhuma nave mercantil
pode atravessá-lo com bandeira estrangeira, com exceção dos cinco países.

A outra decisão, que impede e freia o Azerbaijão, é que ninguém pode pensar e muito
menos realizar um ataque militar a partir do próprio território a outros países. Nenhum uso
militar do Mar Cáspio pode ser feito e nenhuma nave mercantil pode atravessá-lo com
bandeira estrangeira, com exceção dos cinco países. Todos os países e, logicamente o
Irã, têm direito a desenvolver a produção e o uso da energia nuclear em todos os campos
pacíficos. A Rússia se compromete a levar adiante o cumprimento da construção da central
nuclear de Bushehr no Golfo Pérsico no prazo estabelecido. As redes de eletricidade e
outras infra-estruturas, serviços e coligações, e a produção dos aviões serão realizados.
O Irã já comprou 50 motores de jet Tupolev e de Mig 29 quando a Rússia tinha vendido,
há pouco tempo, os mísseis terra-ar com várias testadas para serem instaladas sobre bases
móveis ao redor de bases nucleares e de Bushehr.

As dificuldades de definir o regime de propriedade jurídica do Mar Cáspio e o início
da intervenção do imperialismo no maior lago da Terra demonstram todo o mal que
comportou a queda da Urss. Desde então, este lago se transformou de uma situação
pacífica de uso comum entre a União Soviética e o Irã, segundo os acordos de 1921,
quando o novo governo revolucionário do Soviet anulou as dívidas do Irã ao império
czarista e dissolveu as forças imperialistas dos cossacos presentes no Irã, a um lago
tempestuoso a ser dividido entre cinco países contrastantes dirigidos sobre o lago, que,
na desgraça da vitória dos rebeldes filo-americanos do Daghestan-Cecenia, se teriam que
dividir em 6.

Os 5 ainda não chegaram a um acordo sobre a divisão do lago na superfície, na
profundidade e no sub-solo. A profundidade do lago começa dos 5 metros na foz do
Volga ao norte do lago, aos 100 metros ao sul junto às costas iranianas. A República do
Azerbaijão ao oeste e aquela do Turkmenistão ao leste chegaram logo ao desentendimento
pelas jazidas de petróleo no subsolo do lago. Os caças iranianos tiveram que expulsar
navios de pesquisa petroleira ingleses que trabalharam nas águas do Irã, por conta do
Azerbaijão; enquanto isso, a República russa, o Kazakistão e o Azerbaijão se puseram de
acordo para deter 64% da superfície, enquanto o Irã reivindicava a propriedade e a gestão
comum do lago, como na época da revolução russa. Caso não fosse aceito, pretendia 20%,
segundo a divisão paritária da superfície, enquanto os demais lhe propunham somente
14%, possivelmente pela profundidade maior das suas águas. Enquanto isso, o Azerbaijão
sustentava e ainda sustenta a relação militar com os Eua e já começavam a mergulhar os
submarinos militares nas águas do Mar Cáspio; No Turkmenistão atuava o Consórcio
do lago instituído pelos Eua e as companhias americanas e européias trabalhavam no
Kazakistão pela pesquisa e extração do petróleo nas maiores jazidas do Mar Cáspio. Salvo
no caso do Azerbaijão, todo o resto não existe mais. O Kazakistão expulsou as companhias
americanas, o Consórcio americano não funciona mais no Turkmenistão, e o Azerbaijão
teve que rever e conter as instigações militares dos Eua e as provocações contra o Irã de
constituir o Grande Azerbaijão junto ao iraniano com a capital em Tabriz iraniana.

O regime de propriedade será instituído nesta nova atmosfera de confiança reencontrada
e de colaboração, assim como a colaboração iraniana-russa, vendo os efeitos positivos
da atuação de Putin nestes anos para resolver os problemas do Tajikistão (1) e de
Karabach (2). De toda forma, o significado político do encontro e as suas decisões, com
uma resolução comum de 25 pontos, vão além dos fatos em si e se materializam numa

organização econômico, social e política antiimperialista que estimula agora cada um dos
cinco países a ser mais decisivos neste caminho e a preparar-se em outras eventualidades.
Sem dúvida que esta nova entidade, como a que está em desenvolvimento na América do
Sul, influenciará todas as outras questões e processos de crise do Oriente Médio em todo o
mundo.
18 de outubro de 2007
(do nosso correspondente no Irã)

(1)
No Tajikistão houve sempre convulsões internas influenciadas pelos talibãs afegãos
e pela tendência reacionária mussulmana que por anos se refletia na direção do governo.
(2)
Se refere aos enfrentamentos militares havidos sobre o caso de Karabach entre a
Armênia e o Azerbaijão.


{Acessos: 25}
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