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O terremoto no Irã
17 de novembro de 2017 Notícias
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O terremoto no Irã

O terremoto no Irã acrescenta mais um elemento de tragédia e dificuldades  para seu povo resistente frente a tantos percalços e ameaças de guerra. Durante a noite de 12 de novembro, na cidade de Kirmanshah, no Kurdistão iraniano, na fronteira com o Iraque, um abalo terrificante de 7,3 da escala richter, provocou enormes danos nas casas e edifícios populares, com mais de 440 mortos e 7.600 feridos.


Foto: Efe

Alguns edifícios são daquelas construções populares para famílias sem recursos e facilitadas com prestações módicas, realizadas por Ahmedinejad, o mesmo que, durante a sua gestão, levou uma política de integração com a Venezuela de Chávez, no conhecido “Plan vivendas” (Plano habitacional) para excluídos e vítimas de inundações. Políticos oportunistas e opositores ao governo progressista anterior, como Akhundi, Ministro da Habitação e dos Transportes, que defendem a indústria  de construção de mercado, buscam encontrar um bode expiatório e incriminar os projetos de casas populares. No terremoto de Bam (2003) morreram cerca de 23.000 pessoas; em Manjil-Rudbar (1990) com a força sísmica equivalente a este, de 7,4 richter, foram 36.000 mortos. As fotos demonstram que o esqueleto e os pilares dos edifícios se mantiveram; o que desabou foi a estrutura de alvenaria, por provável inexistência de leis reguladoras de construção, que assegurasse uma suficiente soldagem às estruturas. De todas formas, as cifras demonstram que a maior parte dos feridos ou mortos vivia nas casas construídas por conta própria e não nestes edifícios populares. A situação do terremoto de Bam é diametralmente oposta a de Kirmanshah.


Foto:Reuters/Agencia Tasnim


Foto:Reuters/Agencia Tasnim

Há uma grande comoção e mobilização de socorro, ordenada por Khamenei ao governo; sob um frio intenso de zero graus, entram em ação o exército, aviação e helicópteros; os guardiões da revolução (Pasdaran), com os seus meios, a cruz vermelha com seus próprios veículos e ambulâncias, tendas provisórias, hospitais de campo com os médicos e instrumentos cirúrgicos. A coincidência do retorno dos 2 milhões de peregrinos que estiveram no Iraque por ocasião da recente quarésima do martírio de Hussein, filho de Ali e neto de Maomé, contribui para esta onda de solidariedade. Os hospitais de campo estavam predispostos para os peregrinos, mas foram reforçados urgentemente; simultaneamente, se aceleraram as tendas gigantes e outros meios. Três ministros, milícias e organizações populares foram nas localidades atingidas. O quadro é comovedor: de todas as partes chegam voluntários e doadores de sangue. Os feridos mais graves foram transferidos de urgência a Teerã, direcionados aos hospitais ou à cidade de Kirmanshah, capital da região curda. O dano físico é enorme e doloroso, mas o exercício de colaboração e estruturação social, de massa e de força organizada e militar, compensa.

Foto: Hispantv

A viagem de Putin ao Irã

Outro fato relevante, menos trágico, e interessante, é a viagem de Putin ao Irã. O líder supremo, Khamenei, recebe Putin em Teerã que chega para acelerar, sem esperar definições das lutas internas no poder iraniano, o contrato para a realização do corredor ferroviários Norte-sul, incluindo prováveis acordos estratégicos mais importantes. Quase diariamente há explosões provocadas de poços petrolíferos ou partes de refinarias, paralisando-se a realização da refinaria “Estrelas do Sul”, empresa híbrida estatal-privada (como IRI italiana), dos Pasdaran (guardiões da revolução). Há um freio à gestão do primeiro governo de Rouhani que têm-se oposto à construção das ferrovias Norte-Sul que liga a rede ferroviária da ex-Urss até o Mar de Umman, na entrada do Golfo Pérsico, no Porto de Jask. O fato de que o presidente do Azerbaijan, Elham Aliev, esteja também presente à reunião, pode ser um sinal de que, assim como a Turquia, alguns anfitriões da Otan, estejam optando por uma colaboração com a Rússia.

A ameaça recente de Trump foi um sopro na chama, e desencadeou o incêndio revolucionário no Irã, obrigando Rouhani, que após tantas concessões e destruição de instalações nucleares iranianas, permitindo o sistema de controle permanente da parte restante, inclusive facilitando uma visita a um local militar, passa a atacar Trump e os EUA, ameaçando com a fabricação de mísseis e armas. A sua reação à decisão do Senado dos EUA a favor de mais sanções ao Irã – como as recentes contra a Rússia – assemelha à resposta de Stalin frente ao ataque nazista: parcial, híbrida e um tanto provatória. Como o Irã poderia construir foguetes e levar testadas nucleares após ter declarado que, mesmo sendo possível, não o faria jamais pois isso contraria o princípio humano-islâmico? O líder supremo, Khamenei, declarou isso várias vezes. Contrariamente, o presidente Rouhani declara no Parlamento que farão todos os tipos de armas, sem excluir a nuclear.

Contradições entre o primeiro governo Rouhani e o Líder supremo Khamenei

A política do primeiro governo Rouhani foi de integração com as empresas norte-americanas e multinacionais do petróleo e de entrada na WTO, portanto de privatização total, por imposição do mesmo e dos organismos imperialistas. Ao renegar as políticas e medidas do governo revolucionário de Ahmadinejad, o ministro do petróleo, Zangueneh, impôs a importação da gasolina e, baseou-se totalmente na exportação do cru, contra as ideias do líder Khamenei que são por independizar o Irã da economia de petróleo, dos petro-dólares, e eliminar os riscos e condicionamentos da política do mercado petroleiro. O primeiro governo de Rouhani fechou a companhia “Garardad Khatalonbia”, dos Pasdaran (guardiões da revolução), com um milhão de empregados e 350 empresas privadas integradas a esta organização, um híbrido para-estatal e militar. Esta companhia havia começado a construir com força a refinaria “Estrela do Sul”, substituindo a importação de petróleo, produzindo a gasolina não só para abastecimento interno, mas também para exportação. O governo se impôs com a obrigação de participação de empresas privadas, limitando a participação estatal a 20%. Os setores privados sabotam, não capitalizam, nem investem. Esta gigantesca refinaria, construída em 90%, está paralisada e sem funcionamento.

As novas relações de forças mundiais

As relações de forças mundiais de maior enfrentamento de guerra entre bloques contrapostos, EUA e seus aliados europeus versus Rússia, China e Coréia do Norte, alertada nos discursos do Papa e de Khamenei, polarizam posições e definições contrárias a tendências conciliadoras ou neo-liberais e privatizantes que tentaram recuperar vôo no primeiro governo de Rouhani. Parte disso é o fim institucional da liderança de Massud Barzani e suas provocações que favoreceram o Daesh na ocupação do norte petrolífero do Iraque, que resultaram no fracasso do último referendum independentista do Curdistão iraquenho que interessava a Israel. Barzani teve o seu mandato no governo curdo prorrogado abusivamente por dois anos. Agrega-se a esta nova situação, o contrato militar entre Qatar e Rússia, e as relações Qatar-Irã contra ameaças da Arábia Saudita e do Conselho dos países do Golfo: Emirados, Bahrein, Kuwait, etc… Enquanto isso, Rakka, a capital do Daesh na Síria não foi liberada, foi destruída pelos bombardeios norte-americanos. As fontes russas denunciam que antes de ser destruída, os norte-americanos criaram um corredor para que os Daesh pudessem fugir para o norte, e depois serem ocupadas pelas forças aliadas norte-americanas, curdos-sírios e outras.

Corresponência desde o Irã
13/11/2017


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EDITORIAL:

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Pela composição mais ampla com todas as forças de esquerda, progressistas, nacionalistas e democráticas e dissidentes do regime ditatorial neoliberal e fascista! É preciso contar com as divergências do inimigo. É preciso emplacar Haddad no primeiro turno.
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