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Os desafios do processo revolucionário no Irã
05 de julho de 2011 Artigos Edições Anteriores Politica
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Ahmedinejad disse na ONU;

“Energia Nuclear para Todos!, Armas Nucleares para Ninguém!”

A situação no Irã está fugindo do controle de Khamenei e continua na direção de um golpe sui generis, sutil, gradual, mas em todos os campos, todos! A questão é que prenderam membros mais próximos de Ahmadinejad; já desde ontem, houve uma segunda onda de prisões, ao mesmo tempo em que não é claro ainda o que ocorreu com a primeira onda. Não se divulga nenhum nome dos presos, mas tudo indica que Esfandiar Rahim Mashaeie, o vice de Ahmadinejad no Gabinete da Presidência é um deles.  O Parlamento e o Judiciário promovem ataques e, como que querendo definir a situação, buscam eliminar Ahmadinejad através de um “impeachment”. Não se trata mais de uma pura luta interior, política e de classe. É algo mais. É o golpe de órgãos de Estado contra órgãos do Estado. A contra-revolução não pode dar nenhum golpe cruento, porque tem que reprimir a reação espontânea da população, dos milicianos organizados e também parte importante do Pasdarán (Guardiões da revolução). Isso não é possível, mas o que realmente ocorre é um golpe palaciano, do parlamento que há pouco denunciou o governo para a magistratura em um ataque cruzado, entre bigorna e martelo, pelo fato de não haver obedecido, nem feito, nem aplicado a tempo, decisões do parlamento.

 

Há 3 anos, nas últimas eleições legislativas, a maioria do atual parlamento lançou falsamente sua candidatura como “fundamentalistas”, apoiando a Khamenei, abusando de falta de partidos, organizações e programa. Na realidade, eles representam as cúpulas das máfias dos poderes locais. Que fizeram então? Viraram a casaca ao entrar no parlamento, colaborando com a minoria neoliberal defendida por Ali Larijani, presidente do parlamento. No parlamento, constituído por 290 delegados, mais ou menos 80 são liberais, 80 estão ausentes e representam dirigentes de empresas privadas, e somente 50 são os que sustentam o gabinete do executivo.

 

Todo o Quinto Programa Quinqüenal e o seu balanço financeiro foram radicalmente modificados na sua natureza, o que o parlamento não pode fazer, transformando o decreto governamental em sua própria lei, demorando tanto, antes de ser aprovado para prolongar o Quarto Programa liberal de Khatami por mais um ano; isso foi aprovado em plenária do parlamento, atando mãos e pés ao Executivo e ocultando esta manobra, contra os protestos de Khamenei e do governo após ataque como os de supostos roubos de bilhões de dólares por parte do governo. O parlamento impõe seu poder por cima de todos, e quer que o governo seja somente um executor. Isso é uma transgressão da Constituição da República Presidencial

 

O eficiente Ministro das Comunicações, Behbehani, foi deposto pela maioria do parlamento no ano passado, na sua ausência, sem poder defender-se. Ele estava por denunciar os empresários privados que não estavam regulares, ou que construíram coisas desastrosas para golpear Ahmadinejad durante as eleições presidenciais de dois anos atrás. São verdadeiros sabotadores. Agora, conseguiram suficientes firmas para discutir a demissão de Najjar, o Ministro do Interior, de origem militar que foi Ministro da Defesa no precedente governo de Ahmadinejad. Ele também é de uma grande eficiência. Tudo isso é uma provocação contra as próximas eleições do parlamento de 4 de março próximo.

 

No campo da política exterior, a questão da Líbia interrompeu as relações entre a República Islâmica do Irã e a dos aliados antiimperialistas como a Venezuela e os demais países da ALBA e Brasil, enquanto que a Turquia mudou sua posição contra a Síria (pouco depois, a Turquia mudou novamente a favor da Síria, mas no final, reconhece oficialmente o fantasmagórico Conselho transitório nacional líbio). Este ponto é importante de se destacar porque Hashemi Rfasanjani fez uma declaração há tempo a favor dos tumultos na Síria e há poucos dias, Ali Larijani, presidente do parlamento, esteve na República de Azerbaijan propondo uma reunião para uma colaboração estreita entre o Irã, Azerbaijan e Turquia. É preciso recordar que a Otan moveu seu comando de forças de terra na Turquia e Azerbaijan é um aliado e serve de ponte da Otan, entre os da bacia do mar Caspio, o que permite acesso ao foco da crise com a questão de Qarabakh, a zona de conflito com a Armênia. Larijani apoiou a “integridade territorial” de Azerbaijan; enquanto isso, Ahmadinejad teve que interromper a sua viagem à Armênia e não se sabe do que se tratava.

 

A Armênia é mais próxima ao Irã e com muito mais relações estratégicas que com Azerbaijan. Estas manobras de Ali Larijani significam meter gasolina no fogo. Isso é reforçar a Otan na zona e pressionar a Turquia nesta direção. Isto é parte de um plano contra-revolucionário e uma provocação contra a Rússia e Bielorussia; é uma incitação aos nacionalismos, como fez o presidente neo-liberal anterior, Mohammed Khatami. O Irã importa muita eletricidade desde a Armênia e exporta muito gás para esta república. A política de Ahmadinejad foi sempre de ser útil e de ajudar a buscar acordos entre os dois. Um dos presos, próximo a Mashaeie e Ahmadinejad foi o responsável da Zona Franca de Jolfa no Azerbaijan iraniano que une na parte sul as repúblicas do Azerbaijan, da Armênia e da autônoma Nakhijavan.

 

Sim, o parlamento condenou, em seguida, o “ditador líbio” com a exata verborragia de os agressores de “quem mata a sua própria população”, e todos os meios do Irã se opuseram à Líbia. Não se trata de eqüidistância. Ao não condenar a agressão da Otan, ao chamar de “revolucionários” aos opositores, mercenários e chefes, agentes declarados do imperialismo e do chamado Conselho de Transição da Líbia, reconhecido pelos agressores; ao criticar à Otan por não apoiar suficientemente os contra-revolucionários separatistas e fazer o duplo jogo “apoiando pouco aos combatentes”, tudo isso, demonstra que foi um plano já feito antes, junto com a mídia imperialista.

 

Em geral, pode-se dizer que os fatos nos países árabes acentuaram o processo de crise de identidade da revolução iraniana e pôs à luz o espírito dos grêmios reacionários, anti-comunistas e anti-socialistas. Aí está o rancor, o ódio e a concorrência egoísta dos setores clericais ortodoxos islâmicos, que antes e durante a presidência de Rafsanjani apoiaram à Otan na guerra contra a Iugoslávia e, durante o governo de Khatami, na guerra do Afeganistão, e agora contra a Jamahiria popular líbia, alinhando-se à Otan.

 

É preciso recordar-se do que era a República Islâmica do Irã antes da chegada de Ahmadinejad. O paraíso fiscal dos dinheiros sujos, dos capitais sem impostos, dos Aiatolás milionários, com as o dinheiro especulativo diretamente do Banco Central aos Bancos de Dubai e do mundo. Com a moeda exterior de petrodólares exposta à chantagem dos bancos imperialistas. Uma riqueza e uma acumulação tremenda de capital financeiro especulativo e de renda, de transações com os vizinhos, no Golfo Pérsico, sobretudo com os Emirados Árabes unidos e empresas petroleiras e de gás como “Crescente” ou a de “Dick Cheney”, e o filho de Rafsanjani, Mehdi, em tudo isso, enquanto havia uma pobreza interior, com pessoas entregues à própria sorte. São os mesmos que se juntaram e reacionaram para se salvar; e nisto, só podem se aliar com o imperialismo.

Rafasanjani foi visitar o Rei da Arabia Saudita há dois anos e, Ali Larijani foi há um ano atrás visitar Husni Mubarak. Este não saudou a vitória histórica de Ollanta Humala no Peru. Isso indica que esta nova vitória da frente dos países soberanos aliados com Chávez lhe incomoda. A magistratura fechou vários sites informáticos de pessoas físicas e jurídicas próximas do Presidente. A magistratura não condenou os especuladores, os corruptos econômicos e se lançou contra os diretores do IRNA, noticiário do governo, e condenou o presidente, mesmo com o jurado que votou em seu favor. O jurado protestou, mas a ordem dos tribunais se impôs. Instalou-se uma ditadura jurídica e parlamentar legislativa. O parlamento muda e rechaça as diretivas do governo, e, ao mesmo tempo, aprova que para ser candidato às próximas eleições do nono parlamento, é obrigatório ter uma graduação superior ao da licenciatura universitária: entre a licenciatura e o doutorado.

Ahmadinejad interveio anteontem e disse que vai continuar no silêncio. Isso foi pedido, provavelmente, por Khamenei. Porém, disse que se atacarem o seu gabinete, isso significará que o país e a revolução estão em perigo e, portanto, ele vai se dirigir à população!

Do nosso correspondente

05 de Julho de 2011


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