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Porque condenam Lula?
13 de julho de 2017 Artigos
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Crédito: foto do Brasil247

Porque condenam Lula?

Mais do que a condenação do Lula pela justiça, o objetivo é a condenação de um projeto de governo democrático e popular por parte da elite nacional e internacional e o retorno das práticas neo-liberais. O governo Lula foi capaz de transitar entre a luta por três refeições por dia para a população carente até empenhar-se por um acordo em conjunto com a Turquia e o governo da Rússia para por fim às hostilidades contra o Irã na questão da energia nuclear. Foi capaz de se unificar aos BRICS.

Qualquer país que busca se desenvolver, busca investir em educação. O marco legal do pré-sal tinha condições de nos colocar dentre os países mais desenvolvidos do mundo pois incluía a destinação de suas receitas, prioritariamente, para a educação. A primeira coisa que o governo ilegítimo de Temer foi acabar com o fundo soberano e dentro do possível, desmontar a Petrobrás, inclusive acabando com a exigência da compra de conteúdo nacional para a construção de plataformas para extração de petróleo. Agora estamos importando estes equipamentos de outros países, num momento de crise econômica e altos índices de desemprego.

Nada mais emblemático por parte da elite brasileira, a implantação da atual política de assimetria entre os intocáveis 45% do orçamento da União destinados para o pagamento da dívida pública, leia-se rentistas e financista,  e a PEC do teto que retira orçamento da saúde, educação, habitação etc. Todas as áreas das políticas públicas começam, em tão pouco tempo da sua implantação, a dar sinais de falência múltipla. O SUS é uma conquista do povo brasileiro mas está sendo sucateado. Estamos assistindo a falta até mesmo de material básico para o funcionamento das universidades, com é o caso da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O governo Lula decuplicou o número de universidades e verbas para o setor no país. Agora, o setor é alvo de desmonte.

Um país para se desenvolver tem que aplicar em ciência, tecnologia e desenvolvimento. Durante o governo Lula, não houve nenhum contingenciamento de verbas para a área, muito pelo contrário, houve aumento de recursos para este setor. Hoje, o setor perde R$ 500.000,00 por dia, em virtude do corte de 44% de suas verbas. Acabaram com o Ministério de Ciência e Tecnologia e criaram, em substituição, uma Secretaria no Ministério das Comunicações.  Esta medida criminosa, está jogando na lata do lixo pesquisas que estão em fase de desenvolvimento por mais de 15 anos. Laboratórios estão sendo fechados. Verbas para pesquisas da marinha no campo de energia nuclear para medicina e movimentação do submarino estão sendo drasticamente cortados, e o projeto do submarino movido a energia nuclear está sendo demolido. O laboratório da Fiocruz está sem verbas, importante centro de produção de vacinas para a população pobre e inclusive, produção de medicamentos para outros países pobres da América Latina e África. Todas os centros de pesquisa estão sendo desmontados com a tal PEC do teto.

O “norte” do governo Lula foi um projeto desenvolvimentista com base nos investimentos públicos e estatais, e no desenvolvimento de empresas privadas nacionais, chamadas de “campeãs”, sem deixar de lado, as pequenas e médias empresas.  Como fizeram vários países do mundo, o Governo Lula buscou desenvolver empresas privadas nacionais com capacidade, inclusive, de se internacionalizarem, bem como fortalecer empresas públicas, a exemplo da Petrobras.

Entretanto, a maioria do empresariado nacional não foi capaz de manter um pacto de governabilidade em torno de um projeto nacional, acordado em 2002 com o governo Lula. Em virtude de seus interesses corporativos, obtiveram financiamento vultosos junto ao BNDES para depois se aliarem ao capital internacional, inclusive, ao golpe contra o governo da ex-Presidenta Dilma e agora, na condenação do Presidente Lula pela justiça.

Indiretamente, a construtora Odebrecht beneficiou Cuba com a construção do porto de Mariel, utilizando financiamento do BNDES que serão pagos pelo governo cubano, mas acima de tudo, a Odebrecht defendeu seus interesses financeiros, acima dos interesses da nação brasileira em defesa de  um projeto desenvolvimentista nacional. Assim, fez também a JBS que foi mais além, internacionalizando suas empresas por vários países do mundo. Este empresariado foi incapaz de defender o governo Lula e Dilma.

Um dos índices utilizados para medir o desenvolvimento econômico de país diz respeito ao ingresso no país de recursos do exterior, chamados de Investimentos Externos Direto – IED. Na realidade, o IED é uma “faca de dois gumes” pois se for utilizado, majoritariamente, para aquisição de empresas nacionais, se volta a médio e longo prazo contra o país. Pois as empresas estrangeiras priorizam o envio dos seus lucros para suas matrizes no exterior.

Não basta apenas defender um projeto desenvolvimentista nacional sem regras. É preciso que estes financiamentos estejam comprometidos com reinvestimento no país.   As vendas de empresas brasileiras bateram um novo recorde em 2012, com 206 empresas nacionais passando para controle estrangeiro. Desde 2004, foram 1.296 empresas transferidas para controle de empresas estrangeiras. Ou seja, estamos financiando déficit com a venda de empresas nacionais, o que significa mais remessas de lucros no futuro. No Brasil, nos últimos dez anos, as remessas de lucro para as matrizes de transnacionais (muitas delas estatais) chegaram a 410 bilhões de dólares.

Esta é a lógica do capitalismo. Na realidade, há uma decepção por parte do governo Lula com os acordos pactuados desde 2002 com a burguesia nacional. O desdobramento do funcionamento deste processo resultou na compra de parlamentares no Congresso Nacional pelos setores capitalistas financistas, ruralistas, indústria farmacêutica, mineração, informática etc. Este processo resultou na constituição de uma Câmara dos Deputados e Senado corrompida e que, culminou  no impeachment da ex-Presidenta Dilma e a compra de juízos, tribunais, procuradorias na condenação do Lula.

Os setores que condenaram Lula querem mandar um recado para a população pobre: não ousem passar a linha que pertence a classe média e rica. Ainda existe Casa Grande e Senzala neste país.

Foi durante o governo Lula que foram criados 20 milhões de novos empregos. Foi recomposto o poder de compra do salário mínimo. Foram criados o Programa Luz para Todos, o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar – PAA. Foram criados o PROUNE, Pronatec, Brasil Sorridente. Foi criado o Bolsa Família. Ampliou-se o crédito para Programa para a Agricultura Familiar – Pronaf. A Petrobrás foi fortalecida junto com a indústria naval. As FFAAs foram fortalecidas com investimentos em áreas estratégicas. Lula cresceu em autoridade no mundo todo tendo como braço direito nas relações internacionais, o ex-Ministro Celso Amorim.

Lula dialogou e atuou junto com os sindicatos, com os movimentos sociais, com os moradores de rua, com os camponeses, com os catadores de papel, com intelectuais, com religiosos, com os estudantes, a classe média, a juventude, com os parlamentares, com os partidos.

Lula aprendeu que não poderia confiar na mídia dominada por sete famílias. Todos foram golpistas contra a Dilma e atuaram para a condenação de Lula. Aprendizado que poderá custar muito caro ao próprio Lula e à população brasileira. Esperamos reverter esta situação.

Na realidade a condenação de Lula é uma declaração de guerra contra o povo brasileiro. Lula tem buscado reorganizar suas bases e criar condições para disputar as próximas eleições. Ele está fazendo um chamado pela construção de um bloco de esquerda progressista para disputar as eleições presidenciais de 2018. Em entrevista na Paraíba, em 06 de julho, ele citou os partidos PT, PSB, PDT e PCdoB. O Lula disse ainda que outros partidos de esquerda e “personalidades dignas” de outros partidos também podem se juntar ao bloco. “É muito difícil hoje imaginar que você possa fazer a aliança política que foi feita em 2010, mas é muito complicado também imaginar que um partido sozinho tem força para ganhar as eleições”, disse Lula. E este bloco passa pela  Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, os sindicatos, pela movimentos sociais e a organização do PT, pelos partidos de esquerda e ainda por setores do empresariado nacional que tenham algum compromisso com um projeto de nação, como passa por setores do PMDB representados na figura do Senador Requião.  Lula é ainda a maior liderança de massas no país, que carrega uma responsabilidade e ao mesmo tempo autoridade junto à população brasileira. Mesmo sem mandato, Lula tem poder de interferir nas próximas eleições e nos rumos do país. Este é o medo da elite brasileira.

Comitê de Redação

13/07/2017

 

Veja o video:

Entrevista de Lula à Rádio Arapuan da Paraíba https://www.youtube.com/watch?v=EyMrju0DO_8

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