Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
Responder à trégua da batalha do impeachment e do golpe, rompendo com a política recessiva para permitir a retomada do crescimento e a estabilidade política no país
09 de janeiro de 2016 Editorial
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

Acreditamos que estejam nas mãos da Presidenta Dilma aproveitar ou não as melhores condições de governabilidade político e econômica surgidos em decorrência dos últimos acontecimentos de final de ano no país.

Com o rito determinado pelo STF, é possível que o governo obtenha os votos necessários na Câmara e no Senado para barrar o processo de impeachment. O Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha está sob investigação e poderá a qualquer momento ser destituído do cargo. As manifestações a favor do impeachment decresceram e os movimentos sociais se fizeram presentes em maior volume e qualidade em defesa da Presidenta Dilma.

Foram aprovados o orçamento de 2016 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O país terminou em sexto lugar entre os países que mais receberam investimentos direto externos, no valor de 62 bilhões de dólares. O BNDES fechou o ano com um lucro de R$ 6,6 bilhões, o Banco do Brasil com R$ 11,8 bilhões, a CEF com R$ 3,5 bilhões; mais uma vez o país bateu recorde na produção agrícola; as reservas internacionais estão na casa extraordinária de 370 bilhões de dólares; a Petrobras já começa a apresentar resultados com um lucro líquido de R$ 5,9 bilhões no primeiro semestre de 2015.

A crise teve fatores muito desfavoráveis como a taxa de desemprego que foi para o preocupante índice de 7,9%; e o valor de mercado da Petrobrás que em 2010 era de R$ 380 bilhões caiu para R$ 98 bilhões; e tivemos um decréscimo do PIB em torno de 4%.  

De acordo com informações divulgadas pelo Banco Central no final do ano, a dívida pública brasileira, considerados União, estados e municípios, somava R$ 3,84 trilhões no dia 31 de dezembro, o correspondente a 67,9 % do Produto Interno Bruto. O valor acumulado correspondia a 57,2% do PIB no primeiro dia do ano. A correspondência era de 51,8% do PIB em 2011 e, segundo algumas projeções, poderá alcançar 95% do PIB em 2018, ao final do atual mandato.

Rolar esta dívida representa, de longe, o maior dos encargos a serem suportados pelo Estado brasileiro, que deverá consumir aproximadamente R$ 500 bilhões no ano que está começando. Uma conta que não fecha e, na realidade, não tem como ser fechada. No exercício passado, e ainda conforme os dados liberados pelo Banco Central, nos doze meses anteriores mais R$ 447,7 bilhões de juros foram acrescidos à dívida principal ou 8,31% do PIB. Existe relação direta entre o aumento dessa conta e os juros praticados internamente, sendo bastante lembrar que o setor público é o maior de todos os devedores.

Mas, numa abordagem séria e pragmática, não há como desconsiderar a questão da dívida, uma espécie de bomba relógio que já foi armada e continua em contagem regressiva até o momento da explosão. Continuar apenas rolando é tarefa tão improdutiva quanto enxugar gelo, exigindo um sacrifício que, a experiência tem mostrado, não leva a nada. É preciso e urgente, minimamente, dissecar a dívida pública, conhecer sua exata natureza, saber o que e quanto foi pago, quais foram as condições caso a caso, numa AUDITAGEM completa que indique o que realmente é legítimo nesta dívida. Só desta maneira, conseguiremos criar as condições de crescimento da economia e elevar o volume de recursos financeiros em investimento no país.

Todo país está sujeito a crise econômica e política, vivendo ciclos de crescimento e decrescimento. Os próprios dados acima demonstram, que não existem problemas estruturais graves na economia brasileira, com exceção da dívida pública. O que existe é um processo de contaminação pela política, amplificando as dificuldades decorrentes da conjuntura externa, promovendo a deserção e sabotagem dos agentes econômicos, para finalmente criar as condições para o golpe de estado.

Interesses da geopolítica que buscam ter um maior controle do pré-sal; fazer crescer a dívida pública através do aumento da taxa Selic; e inviabilizar a participação do país no bloco do BRICS. Sabe-se que corrupção na Petrobras teve início no governo FHC, e existe desde sempre, por meio da relação promíscua entre empreiteiros e a estatal, e inclusive empresas estrangeiras, sempre à espreita da ruptura do monopólio estatal ainda existente. Isso ocorre no entorno da Petrobrás e de todas as empresas estatais e obras governamentais. E a “contaminação” da área política – toda ela – se dá pelo financiamento privado às campanhas, onde é impossível separar o dinheiro da propina da contribuição “legal”. Dinheiro não tem cor. Somente uma reforma política radical poderia ter extirpado este câncer da representação parlamentar.

O erro do PT foi não ter enfrentado este nó do problema, convivendo com ele e, paradoxalmente, reforçando todos os instrumentos de transparência, investigação e controle hoje utilizados pelo Juiz Moro para demolir a sua imagem e destruir definitivamente a reputação de seus líderes mais importantes, associando-se a uma conspiração golpista e fascista, e, sobretudo, neocolonialista, para subordinar o Brasil novamente à esfera norte-americana. Moro serve-se da Polícia Federal e da independência da Justiça para investigar só um lado da história, com métodos coercitivos e midiáticos agressivos, como a “delação premiada” e o “vazamento” de declarações totalmente orientadas e descontextualizadas. Com isso, produz um efeito devastador na economia, agravando ainda mais a crise. Seria uma casualidade, uma sucessão de eventos incontroláveis?

Nada disso teria sido possível se o governo não tivesse entrado no beco sem saída da política de austeridade ‘levyana’, perdendo popularidade. Foi o que deu o sinal à direita de que estava enfraquecido: os cortes aos gastos públicos, o enxugamento do crédito, a elevação da taxa de juros, produziram um efeito deletério de freio brusco à economia e às conquistas crescentes e aparentemente infindáveis dos trabalhadores nos governos de Lula e Dilma.

A direita aproveitou-se cinicamente destas circunstâncias, escondendo que a autoria destas ideias sempre foi dela mesma: desatou a campanha histérica de que o governo pune os mais pobres com o “imposto inflacionário”, com a redução dos gastos e serviços públicos, com a crise de arrecadação dos Estados e Municípios, etc., e que tudo isso seria derivado da “corrupção do PT”. Efeito e causa, dobradinha perfeita. Nada mais mentiroso, falaz, cínico, - somando todos os números hipotéticos da corrupção não se chega nem a 1% do problema que é a dívida com os banqueiros e o pagamento anual de juros, mas isso fica relegado e em segundo plano - porém respaldado por campanhas de mídia fascistas repetitivas e sufocantes, sem defesa alguma por parte do governo.

Está nas mãos da Presidenta Dilma fazer um chamamento a um Pacto entre trabalhadores, empresários, empresas estatais e governos para a retomada do crescimento e a estabilidade política no país, como já proposto pela Frente Brasil Popular, pela CUT e pela direção do PT. Mas não o fará se empreender o caminho da “reforma” da Previdência e da CLP – leia-se cortes às conquistas sociais. Vice-versa, só terá força social para derrotar definitivamente o impeachment se empreender a retomada do crescimento com a redução drástica dos juros - e isso implica no afastamento imediato de Tombini e sua equipe do Banco Central, completando a exclusão de Levy – e consolidar o pacto com os trabalhadores, com as forças vivas do empresariado desenvolvimentista, nacionalista.

Tarefa complexa em situação internacional de crise, mas não impossível para a 6ª potência do planeta! Porém o tempo urge, as derrotas dos projetos progressistas nas eleições da Venezuela e da Argentina ensinam: as elites tradicionais e filo-imperialistas, colonizadas, não renunciarão a seus planos sinistros! É hora de retificar, corrigir, mudar de rumo, e dar um sinal forte aos trabalhadores, à “nova classe média”, aos brasileiros honestos, de que crescer com justiça social é possível. Mas para isso, é inevitável pôr o cabresto no setor financeiro, colocá-lo no lugar de onde jamais deveria ter saído que é o financiamento da vida econômica do país para o seu desenvolvimento.

Companheira-Presidenta Dilma Rousseff: não há mais prazos para a mudança! A batalha contra o impeachment se vence nas ruas, e as ruas estarão consigo se o sinal for claro: a economia deve estar ao serviço do país e das grandes massas, e não de pequenos grupos poderosos e multinacionais saqueadoras.

 

9 de janeiro de 2016

 

 


{Acessos: 178}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Eleições na Venezuela e a luta pela liberdade de Lula
Jamais uma revolução social enfrentou tantas eleições, em condições extremas de guerra econômica e ameaças do imperialismo, conspiração interna e sabotagens; mesmo assim teve continuidade com base no voto popular. Aprender as lições da Venezuela; centrar fogo na libertação e eleição de Lula em 2018.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: