Home
Videos
Edições impressas
Jornais anteriores
Contato
Sobre nós
Saudação à Conferência Nacional e à criação da Frente Brasil Popular
15 de setembro de 2015 Editorial
Recomende essa matéria pelo WhatsApp

Saudamos a criação da Frente Brasil Popular e da Conferência Nacional Popular em defesa da democracia e por uma nova política econômica

 

Por quê se faz necessário criar uma Frente Nacional Popular? Será que está esgotada a aliança entre PT, PMDB, PCdoB, PDT e PSD? Primeiramente, é preciso levar em conta que a situação política e econômica está longe de se assemelhar com a do governo Lula e dos primeiros anos do primeiro mandato da Presidenta Dilma. Há uma crise econômica global que tem reais reflexos complicadores no país, e estes reflexos complicadores levaram o governo a optar por medidas amargas, e por outro lado, há também uma mudança na política econômica por parte do Governo Dilma que tem agravado a situação econômica e política, e retirado conquistas no campo trabalhista e social.

 

A direita no país, aproveitando-se desta situação, busca dar um golpe institucional, utilizando-se de determinadas situações desfavoráveis ao PT com a aliança constituída anteriormente, em razão do PT não ter alcançado nunca uma maioria parlamentar para governar. O PT, primeiramente, precisa reconhecer alguns erros para não cometê-los novamente. A direção petista paulista do PT deve reconhecer o erro na condução do processo de eleição da Presidência da Câmara dos Deputados quando foi para uma disputa de tudo ou nada, contrariando toda a linha tática construída por Lula de governar em alianças, sobretudo com o PMDB. Foi uma declaração de guerra ao partido que está na vice-presidência da república, uma estupidez incalculável! Não se faz política para marcar posição.

 

Esta dificuldade exige do governo Dilma uma reavaliação coletiva, de toda a aliança, base parlamentar, governos aliados e partidos progressistas, no sentido de ver que está executando um programa que tem agravado a situação econômica em decorrência da situação da economia global. O Plano Levy corta gastos com os planos sociais, os direitos dos trabalhadores, os ministérios, mas termina por aumentar gastos com a dívida pública. O governo Dilma precisa, ao contrário, respeitar os 54 milhões de votos recebidos para criar mais empregos, garantir e ampliar os programas sociais e fazer a economia crescer, como defendeu o Senador Roberto Requião, presente no lançamento da Frente Brasil Popular, no dia 05 de setembro de 2015, em Belo Horizonte, MG.

 

O futuro da Frente Brasil Popular vai depender de sua capacidade para interpretar corretamente o que está acontecendo. É criticar as decisões tomadas pela Presidenta Dilma, mas desconhecer o poder do setor financeiro internacional de desestabilizar governos é um equívoco. E existe toda uma estratégia da Europa e dos EUA em desestabilizar o Brasil tendo em vista o poder que significa passar por esta crise estando associação aos países do BRICS, CELAC, UNASUR e MERCOSUL. Só não vê quem não quer que as ações contra o Brasil têm o mesmo intuito do bloqueio à Rússia que, junto com a China, cumpre um papel importante diante dos países integrantes da EURÁSIA e do BRICS.

 

A Frente Brasil Popular, diante do conservadorismo do Congresso Nacional e das limitações do Governo Dilma, tem um importante papel de aglutinar forças do campo político e sindical para discutir uma nova política econômica para o país e negociar com o Governo as mudanças necessárias. O que a direita mais quer e está buscando é romper de vez a aliança PT e PMDB.

 

Nesse sentido, a Frente Brasil Popular não pode cair em certas armadilhas. Na Conferência se ouviam palavras de ordem contra Renan Calheiros. Renan é um aliado na maioria dos temas de interesse do governo Dilma, sendo verdadeiramente contraproducente a postura de hostilizá-lo, quando Dilma poderá depender de voto por voto para barrar o impeachment, se a direita avançar nesta linha.

 

Precisamos lembrar que ainda temos de conversar com um Congresso Conservador e que o Renan durante anos apoiou a governabilidade de Lula e Dilma e propostas do PT, e agora mesmo, comandou no Senado a proibição do financiamento privado de campanha e a reintrodução do voto impresso na reforma política, desfigurando a agenda criada por Cunha. Fez reprovar no Senado o financiamento privado de campanha. É claro que a matéria volta à Câmara, mas ele sinalizou politicamente que Dilma pode contar com Presidente do Senado nesta questão, nada desprezível neste momento. Da mesma forma, é preciso lembrar que Sarney em 2005 parou a proposta de impeachment contra Lula no Congresso! Esses são fatos objetivos da política.

 

A participação de importantes figuras do cenário político nacional na Conferência é uma garantia que a política da Frente busca ampliar o espectro de forças populares em defesa da democracia e uma nova política econômica. Estiveram presentes representantes do PT, o Presidente Rui Falcão e nove membros do Diretório Nacional; o Senador Roberto Requião do PMDB reivindicava que a Presidenta Dilma possa aplicar o programa que ela prometeu aos 54 milhões de eleitores e que votaram contra a proposta neoliberal do ex-candidato Aécio Neves.

 

A Conferência da FBP foi uma atividade com bastante representatividade, contando com as presenças de vários partidos e de vários deputados, entre elas uma importante intervenção de Roberto Amaral do PSB. Contou com participação do PCR, do PCdoB, que fez uma forte defesa do mandato da presidenta Dilma, argumentando que temos um programa para o país. Contou com participação do PCO, do PCMarxista, CNTE, PCR, Sindieletro MG, UNE. O MST contou com uma conferência de João Pedro Stédile. O Romário falou pelo Movimento dos Pequenos Agricultores. Contou de forma decisiva com a participação do CMP, CUT, CTB, Gebrim da Co. Deputados como Nilmário Miranda, Adelmo Carneiro Leão, Jandira Fegale, Rogério Correia, Durval Angelo, Padre João, Marilia Campo, Tarso Genro do PT que deu ênfase para que a FBP não dependa do setor direitistas do PMDB.

 

Os nomes e personalidades presentes mostram o caráter amplo e representativo da Frente. Mas não podemos deixar de registrar a presença de 2.200 militantes de 21 estados e DF com forte propósito de defender o mandato da Presidenta Dilma e a defesa de uma nova política econômica. Forte defesa da Petrobrás que não pôde ser bombardeada por conta da operação Lava Jato. A Frente Brasil Popular entende que a Petrobrás cumpre um papel de carro chefe do crescimento da economia brasileira e nos debates houve gente que se manifestou contra a privatização da BR Distribuidora. O tema energia apareceu muito em determinados grupos pois empresas estatais correm sérios riscos de privatização em decorrência do Decreto Presidencial nº 8449 que obriga empresas estatais colocarem em leilão geradoras e distribuidores de energia elétrica com sérios riscos a soberania energética do país. O mesmo movimento sindical e popular que foi decisivo na eleição da Dilma se fez presente de forma massiva e consciente

 

Justamente por isso, a Frente só se viabiliza com o programa aprovado por unanimidade, em defesa da Petrobrás, contra a precarização das relações de trabalho, contra a independência do Banco Central, contra a manobras financeiras em torno do dólar que custou aos cofres públicos 92 bilhões de reais nos últimos 12 meses. Foi feita uma crítica certeira no caso dos juros, tema muito bem tratado também pelo Senador pelo PT Lindbergh Farias e pela maioria dos que se pronunciaram na Conferência.

 

O ex-Ministro Samuel Pinheiro Guimarães fez uma denúncia da retirada de direitos conquistados na Era Vargas. Do ponto de vista de urgência, fez uma proposta de cobrar Imposto de Renda de 71 mil rentistas, milionários que não pagam o imposto e afirmou que só este valor seria suficiente para cobrir o chamado déficit fiscal do Governo Federal. É uma medida que teria o apoio da grande massa da população. Imposto de Renda este sonegado das mais variadas formas e que para ser cobrado não dependeria de aprovação do Congresso Nacional pois há uma legislação que pune a sonegação e que é aplicada, obviamente conforme a correlação de forças políticas, geralmente contra o povo trabalhador. Bastaria começar por levar às últimas consequências a Operação Zelotes que investiga o Carf e as cumplicidades no MF com as maiores instituições bancárias e empresas do país, em que se estima o calote de 19 bilhões de reais por parte das mesmas, dos quais 6 bi já confirmados. E o poço poderia ser bem mais profundo, superando todo o déficit orçamentário previsto. Bastaria cobrar esta conta para evitar qualquer corte aos programas sociais.

 

Para o PT, a FBP pode cumprir um papel importante ao permitir espaço aos setores do PT que não se submeteram ao burocratismo do partido, tão bem denunciado pelo Lula. Setores que estão dispostos a ir para a rua para lutar em torno das suas bandeiras históricas e que não aceitam os vícios do parlamentarismo e do carreirismo. Essa frente representa uma oportunidade histórica para reverter a tendência do PT ao isolamento, frente à massacrante campanha de ódio de que é vítima; mas o único caminho da reversão é a retomada das bandeiras históricas, as lutas de massas e a democratização interna, com base no que foi discutido na Conferência.

 

Foi aprovado um Manifesto ao Povo Brasileiro (http://www.pt.org.br/frente-brasil-popular-apresenta-manifesto-ao-povo-brasileiro/) que traz a defesa de 4 eixos básicos que foram motivo de debates em grupos para a elaboração de novo manifesto. As ruas sempre foram do povo brasileiro e precisamos ocupa-la novamente. O Presidente da Central dos Movimentos Populares fez um chamado a que deixemos de falar-nos entre nós mesmos e irmos para os bairros e favelas conversar com o povo que durante anos vem sendo desinformado pela mídia golpista. Em conversas paralelas, se fez referência a uma palestra de Marcio Pochmann também presente a Conferência que dizia que no país, os sindicatos e entidades do campo popular têm 75 mil jornalistas, cada qual fazendo jornal para si próprio, sendo que teríamos a condições de fazer um grande jornal popular. Nesse sentido, há que se que registrar a iniciativa da Cooperativa de Jornalistas do DF que lançou o Jornal Brasil Popular, inicialmente via internet, mas que brevemente será um jornal impresso a ser distribuído gratuitamente para a população do DF. A Frente Brasil Popular poderia “adotá-lo” como ferramenta de ação a nível nacional: estariam assim dadas todas as condições para um enorme evento do ponto de vista da batalha midiática em favor da população trabalhadora!

 

A Frente Brasil Popular deve estruturar um programa bem amplo de transformações sociais, de afirmação do papel do Estado (onde se inclui a defesa da Petrobrás) na economia, nos campos estratégicos da energia, da mineração, da saúde, da educação, das comunicações e dos planos habitacionais, do emprego; enfim, tudo o que o reajuste não deve afetar, se optar por penalizar as grandes riquezas; deve exigir uma verdadeira Reforma Política e a retomada da Reforma Agrária. Além dessa Frente representar um novo projeto econômico transformador e defensor da soberania nacional deve significar uma decisão de ser o embrião de uma Frente Única eleitoral que assegure a defesa democrática de Dilma presidenta e apoie Lula em 2018 , que seja capaz de agitar, comover e mobilizar massas, multidões, recuperando a confiança das ruas, com autoridade de massas já conhecidas na história do Brasil com Vargas, Brizola, Jango, unindo mídia popular, pública e comunitária com o movimento sindical, camponês, estudantil e militares democrático-populares e defensores da nação. A FBP pode e deve nuclear um Programa de nação e transformações sociais com mobilização popular; é um ensaio importante de uma Frente Única que pode receber o apoio dos vários processos nacionalistas e progressistas da América Latina, da Celac, Unasur, Brics. Se a FBP crescer com essas três frentes de luta (Soberania Nacional, mobilização popular e unidade latino-americana) e com um Lula decidido a retomar suas "caravanas", há boa chance de se impedir um golpe da direita e assegurar um Lula-2018; com um Lula amadurecido, capaz de fazer a autocrítica do PT, sem descartá-lo, mas fazendo-o avançar, reconhecendo e unindo-se a todas as outras forças políticas e sociais imprescindíveis para o salto de resistência e transformador no Brasil. Um Lula que é o elo central para a união com o resto da América Latina e o mundo; visível também na sua intervenção recente nos acontecimentos da Argentina, apoiando a candidatura presidencial de Daniel Scioli da Frente para a Vitória (FPV) como garantia de continuidade do projeto governamental de Cristina/Nestor Kirchner e da unidade Brasil-Argentina e latino-americana.

 

Conselho Editorial

Setembro 2015

 

 

Sugestões de leitura:

 

http://www.pagina12.com.ar/diario/elpais/1-281063-2015-09-06.html


{Acessos: 240}
Recomende essa matéria pelo WhatsApp


Faça seu Comentário



Comentários
Nenhum comentário para esse conteúdo.
EDITORIAL:

Liberdade imediata de Lula para retomar a soberania e o desenvolvimento do país
Diante deste cenário desolador não há outra saída possível e necessária senão a imediata libertação de Lula e eleições diretas. Neste sentido vale reforçar a importância da unidade das esquerdas em torno da candidatura Lula e de um projeto de desenvolvimento nacional.
Receba nossa newsletter

Videos recentes
Suplementos Especiais
Links Recomendados
Matérias recentes
Noticias recentes
Batalhas de Ideias
Comunicação
Ganma Hispan TV Press TV Russia Today TeleSUR
Palavras-chave
J. Posadas - Obras publicadas
Leituras sugeridas
A FUNÇÃO HISTÓRICA DAS INTERNACIONAIS Del Nacionalismo Revolucionario al Socialismo Iran - El proceso permanente de la revolucion Iran - El proceso permanente de la revolucion La musica, El Canto, La Lucha Por el Socialismo
Desenvolvido por Mosaic Web
Recomendar essa matéria: