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Todo apoio à intervenção da Rússia ao povo e governo da Síria
27 de outubro de 2015 Artigos
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Todo apoio à intervenção da Rússia ao povo e governo da Síria

 

Saudamos a intervenção da Rússia em apoio ao povo e governo Sírio para liquidar o exército contrarrevolucionário e mercenário do Isir/Daesh criado pelo imperialismo e seus aliados. Esta ação comprova a decisão daquele país de cumprir o papel de ser a principal força consciente de contraposição ao poder do imperialismo norte-americano criador dos agentes do chamado Estado Islâmico com o fim de justificar o intervenções e invasões no Oriente Médio. De fundamental importância a decisão conjunta de Rússia, China, Irã, Hesbolah e até mesmo do Iraque de unir-se militarmente na defesa da integridade dos seus povos.

A intervenção russa é uma ação militar ofensiva, não exclusivamente defensiva, caracterizando uma nova época de retomada global da luta anti-imperialista, brutalmente golpeada pelo desaparecimento de Hugo Chávez e pela destruição da Líbia de Khadaffi. A intervenção militar russa não é aleatória, desprovida de embasamento econômico-social e decisão política. A intervenção russa na Síria é a ponta de um iceberg.O amadurecimento da Rússia vem ocorrendo desde antes quando Putin assumiu pela primeira vez como Primeiro Ministro da Rússia. Oportunidade, em que foram re-estatizados vários setores da economia, com destaque para o setor de petróleo e gás e constituindo uma nova hegemonia política que permite ao partido de Putin resgatar a estrutura do Estado operário contrapondo-se ao imperialismo.

Há tendências e debates internos em que os “magnatas” se opuseram ao apoio de Putin a Donbas, preferindo acordos com a União Europeia e a Ucrânia colonizada, porém, a intervenção na Síria demonstra que prevalece o setor mais vinculado à memória da ex-Urss que se prepara para o embate militar histórico de sistema dos países socialistas contra o sistema capitalista. Por isso, Putin diz que se for necessário, “se fará uma nova Stalingrado na Síria”. Esse é o nível da decisão em que se apoia Bashar Al-Asad que foi conversar em Moscou com Putin.

Isto decorre de uma nova situação histórica, com uma  concentração de forças propiciada pela unificação política e econômica da Rússia e da China. Situação que mudou completamente a relação de forças mundial. Até então, o imperialismo contava com a divisão da Rússia e China, com a guerra Irã e Iraque, hoje unificados em torno da Rússia e da China. A direção política da Rússia fazia o cálculo que mais cedo ou mais tarde, sofreria a retaliação do imperialismo, como está acontecendo atualmente. Putin, num dos seus discursos dizia que o bloqueio aconteceria mais cedo ou mais tarde, independente dos acontecimentos da Ucrânia. Se não fosse pela Ucrânia, o imperialismo inventaria qualquer outra escusa.

No campo econômico, a Rússia soube construir blocos poderosos em torno da Eurásia, Comunidade dos Países Independentes, dos Brics etc..., fez acordos comerciais com a China por mais de 30 anos, e resolveram enfrentar um dos maiores problemas do capitalismo: o poder do dólar. Vladimir Putin e Xi Jinping da China decidiram conjuntamente criar sua própria agência internacional de avaliação de crédito.

O Grupo de Avaliação de Crédito Universal, GACU [orig. Universal Credit Rating Group, UCRG] planeja começar em 2015 a publicar avaliações de risco independentes, para esvaziar o monopólio de que se beneficiam hoje as agências Moody's, S&P e Fitch - segundo o diretor de RusRating, Aleksandr Ovchinnikov. (*)

O resgate da ex-URSS

O imperialismo por muitas e muitas vezes se utilizou de “processos eleitorais” fraudulentos para impor sua política de dominação mas com o passar do tempo, este processo já não lhe serve mais, dependendo das circunstâncias. A votação pela reintegração da Criméia e Sebastopol à Rússia teve a participação de 82% do eleitorado e 90% destes se manifestaram favoravelmente a reunificação com a Rússia.

Putin resgata valores fundamentais da ex-URSS como a capacidade de unificar vários grupos étnicos diferentes para um mesmo objetivo que é a construção do socialismo. Assim fez também Kadaffi na Líbia, assim faz a China, a Síria e o Irã com a convivência entre muçulmanos e judeus. Da mesma forma fez a antiga Iugoslávia, posteriormente dividida, sangrada pelos interesses imperialistas de provocar a separação para dominar.  Na Criméia, russos, ucranianos, crimeanos, tártaros e outros grupos étnicos conviviam com harmonia no período da ex-URSS, com exceção do período stalinista.  Reconhece-se o erro da direção do Partido Comunista de ceder a Criméia para a Ucrânia.

Putin se posiciona firmemente contra a desintegração da URSS, lamentando as consequências advindas desta tragédia. Numa clara contestação ao posicionamento do PCUS, de Yeltsin, de Gorbachov e tantos outros que foram débeis naqueles fatídicos acontecimento de 1991; resgata esta história não para fazer uma contestação mas para dizer que é preciso retomar os princípios da unificação dos povos e das repúblicas nos patamares da antiga ex-URSS, sem o stalinismo, sem a burocracia. Resgatar a tradição de solidariedade aos povos. Faz uma crítica profunda à paralisia da Comunidade de Estados Independentes que não conseguiu implantar a moeda única, um espaço único, forças armadas únicas. Iniciativas fundamentais para qualquer enfrentamento com o imperialismo anglo-americano.

Porque a Rússia e a China assumem um papel protagonista no mundo? Porque estão assentadas nas estruturas do sistema Estado operário. Com todas as crises por que passaram, particularmente, a catastrófica crise da desestruturação da URSS em 1990, não se perderam as bases do Estado operário. Tanto na Rússia e na China estão assentadas as bases da Revolução Rússia de 1917, com Lenin e Trotsky e a Revolução Chinesa com Mao-Tsé-Tung. E são estas estruturas que estão permitindo os seus povos retomarem o caminho da construção do socialismo. Esta nova direção da Rússia é filha das estruturas do Estado operário e da correlação de forças mundial.

Da mesma forma que Hugo Chávez, em determinado momento viu a necessidade de se constituir um Partido de Massas Revolucionário, o PSUV, para a defesa da Revolução Bolivariana, Putin vai caminhando para amadurecer a conclusão de que é necessário unificar os povos para avançar e lutar principalmente contra a guerra financeira, midiática, militar, econômica que o imperialismo desencadeou contra os povos tendo como referência a farsa de 11 de Setembro nos EUA. E reconhece que em 1991 a Criméia foi entregue à Ucrânia como um saco de batatas. Um erro político e militar pois ai está a base principal da Frota Russa do Mar Negro.

São reflexões, análises, conclusões que expressam um grande debate dentro da Rússia, no parlamento, no exército, na sociedade sobre a ação do imperialismo. Não há coexistência pacífica. Putin reconhece a importância da unificação China Rússia e os desdobramentos desta correlação de forças mundial. A China ainda se posiciona cautelosamente mas mais cedo ou mais tarde, as baterias vão se voltar contra a China por parte dos EUA.

Socialismo é paz, capitalismo é guerra

Aos países do campo socialista, progressista e nacionalista interessam a paz. Ao imperialismo interessa a guerra. A Rússia, berço da primeira revolução comunista do mundo em 1917, tem um papel crucial na defesa da paz e contra a guerra atômica pretendida pelo imperialismo norte-americano. Na sua carta ao povo norte-americano, Putin se referia a aliança entre a URSS e os EUA para derrotar o nazismo. A segunda guerra mundial,  intercapitalista, se transformou numa guerra contra o socialismo, e o povo soviético foi o principal protagonista contra os nazistas, dando 20 milhões de vida e tendo sua economia destruída, fato que não aconteceu com os EUA.

É importante a crítica de Putin ao Presidente Obama que disse que a política dos EUA é o que “faz os EUA diferentes, os faz excepcionais”. Na realidade, esta fala do Presidente Obama se traduz no sentido que os EUA é excepcional para invadir qualquer país que contrarie os interesses dos EUA. Como fez Bush com o Iraque, mentindo descaradamente em relação a existência de armas de destruição em massas, ou em relação a guerra contra a Líbia.

A guerra é intrínseca ao capitalismo

Combatemos a guerra atômica, somos contra a guerra atômica. Mas temos que admitir que a guerra atômica pode ocorrer diante da crise do capitalismo. O capitalismo no seu desespero pode lançar a guerra atômica. O conflito como da Síria pode levar a uma guerra com utilização de armas atômicas. Os misseis instalados em pontos estratégicos não servem apenas de persuasão mas são armas de guerras para serem utilizados contra a China e a Rússia.

A humanidade sempre passou por definições e rupturas. Tudo leva a crer que caminhamos para grandes definições. O sistema financeiro montado por Wall Street e os banqueiros norte-americanos está levando a falência de empresas, ao desemprego, a miséria, a milhares de refugiados provocado pelas guerras de destruição patrocinadas e realizadas pela OTAN. Assistimos a uma das maiores tragédias no caso dos refugiados da África, do Oriente Médio e da Ásia.  A economia norte-americana que privilegiou a jogatina financeira, exportou empregos para a China, Índia e o resto do mundo. Debilitou o seu mercado interno; retirou conquistas sociais; provocou o fechamento de indústrias; gerou desemprego em massas; debilitou o seu sistema de saúde. É o fim de um ciclo que não tem retorno. Dificilmente, os EUA retornarão como potência econômica. Joga suas fichas na indústria bélica e consequentemente, nas guerras.

 Frente Única Anti-imperialista mundial

Frente ao papel que a Rússia cumpre hoje - cabe ao movimento de esquerda do mundo chamar a uma Frente Única contra o bloqueio econômico e político imposto contra a Rússia. Esta é a posição política mais correta frente a preparação da guerra global em curso por parte do imperialismo anglo-americano. Não cabe nenhum preconceito em relação a conduta de Putin e das forças revolucionárias dentro da Rússia. Qual o grau de politização deste processo? Será apenas um processo de intervenção militar? Ou será que há um resgate das concepções políticas que tanto nortearam a esquerda no mundo? Para responder a estas perguntas, dois discursos de Putin, nos ajudam a clarear esta questão. Um deles ocorreu por ocasião da ameaça dos EUA de intervir diretamente na Síria e, em outra ocasião ocorreu por conta dos acontecimentos na Ucrânia.

Naquela ocasião, Putin se dirigiu ao povo e aos congressistas norte-americanos argumentando contra um possível ataque militar à Síria por parte dos EUA e fez um balanço do fracasso da política dos EUA em relação ao Afeganistão, ao Iraque, aos palestinos, ao Irã e a Líbia. Esta iniciativa resgata um dos princípios básicos da política praticada pelos bolcheviques - o internacionalismo revolucionário. Dirigir-se às massas do mundo, aos partidos e movimentos nacionalistas, socialistas e anti-imperialistas para fomentar o debate sobre as reais intenções do imperialismo de fazer uma  guerra contra a humanidade, é um ato revolucionário.  J. Posadas interviu defendendo a necessidade do movimento revolucionário dirigir-se ao povo norte-americano.

A imprensa reacionária boicota a divulgação das várias manifestações do povo norte-americano contra o seu sistema. A luta heroica do movimento Ocupe Wall Street; as manifestações dos soldados que lutaram nas guerras do Afeganistão, Iraque e Líbia contra a política imperialista do seu governo; as manifestações contra a degradação de vida das pessoas com a crise da economia norte-americana; as manifestações contra a guerra imperialista. É preciso se dirigir a massas norte-americana para impulsionar a organização em outros instrumentos de luta. A alternância de poder entre o partido republicano e o partido democrata, já não é aceito pelo povo norte-americano.

As pretensões assassinas do imperialismo na Síria são um desdobramento da crise do capitalismo. O alvo maior dos EUA é conter, desestruturar, impedir o avanço das relações econômicas e políticas em torno da Eurásia e dos países da Rota da Seda; entre a China, Rússia, Irã, Síria, Venezuela, Cuba, países asiáticos, os BRICS.

Chamamos a constituição de uma Frente Única Mundial Anti-imperialista como única forma de combater conscientemente a guerra imperialista, seja ela na Síria ou em qualquer lugar do planeta terra. Hugo Chávez fez um chamado importante para se constituir a V Internacional com o mesmo objetivo de organizar as forças vivas da humanidade para a construção do socialismo.

Cabe citar a  intervenção de  J. Posadas, no livro a Função Histórica das Internacionais.  “As Internacionais são instrumentos para a construção do socialismo. Embora não haja relação direta ou aparente entre elas, existe uma continuidade e uma estrutura comum indestrutível, porque a construção do socialismo está ligada à concepção de observação do processo da sociedade e também da natureza e do cosmos. Depende da compreensão, da capacidade de previsão do curso da história, de para onde vai a economia, para onde ela se dirige e como determina o comportamento da sociedade e dos seres humanos. A economia determina as relações sociais, a forma de pensar, sentir e se relacionar. A capacidade de previsão depende da capacidade de análise e de compreensão da economia: prever o surgimento de fenômenos, reações e bases para poder intervir e direcionar o processo, organizando a atividade social e as forças que surgem do curso da economia; para poder determinar, dessa forma, como utilizar esse processo a fim de construir de forma consciente as forças possíveis de serem organizadas, que surgem das relações econômicas”.

É importante que os governos e movimentos de esquerda, progressistas, nacionalistas anti-imperialistas, socialistas se unifiquem em torno das ações da Rússia. A Rússia intervém diretamente nos processos da história, e se não fosse esta ação, junto à China, o imperialismo já teria destruído a Síria e o Irã. E não se trata apenas de uma questão militar, mas de concepção de vida, de defesa da humanidade, na linha de intervenção de Putin. Se o movimento comunista e de esquerda do mundo sempre deu muito valor à solidariedade internacionalista, a criação de uma Frente Única Antimperialista e contra o bloqueio econômico e político a Rússia é uma grande oportunidade para colocar esta concepção em prática.

Comitê de Redação

Jornal Revolução Socialista

21.10.15

(*)A nova agência terá sede em Hong Kong. E há um terceiro membro em condições de igualdade com Rússia e China no novo GACU. Além da chinesa Dagon Credit Rating Agency e da russa RusRating, lá está também a empresa independente, com base nos EUA, Egan-Jones Ratings. Cada membro tem quota igual no negócio, com um investimento inicial de $9 milhões. Com efeito, o GACU é constituído de três agências nacionais independentes e muito bem implantadas de avaliação de risco para investimento. É realmente confronto direto e importante contra o monopólio das Três Grandes de New York.

Agora, com uma agência independente para avaliação de crédito; com um Banco para Desenvolvimento da Infraestrutura dos BRICs com capital inicial de $100 bilhões; e já vigentes vários acordos estratégicos para o comércio em moedas locais, Rússia e China, e os países BRICS trabalhando a favor deles mesmos, estão dando os retoques finais numa arquitetura genuinamente alternativa aos neocolonialistas e destrutivos FMI e Banco Mundial, que pode, afinal, se opor à tirania do sistema-dólar de Wall Street. O ano de 2015 será realmente muito interessante.

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