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VII Reunião de Cúpula das Américas
16 de abril de 2015 Editorial
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Saiu fortalecida a união dos povos e governos soberanos da América Latina e do Caribe!

Nos dias 10 e 11 de abril no Panamá sinalizou-se de forma contundente que há uma mudança de era, e que nas “Veias Abertas da América Latina”, do imortal  Eduardo Galeano, onde, por séculos, correram sangues de extorsão e saqueio, navega a contracorrente da consciência, e a decisão irreversível por uma América Latina e Caribenha unida, livre, soberana e anti-imperialista.

Esta foi uma Reunião de Cúpula histórica para as Américas. A hegemonia dos EUA, que há 53 anos excluiu de forma soberba e injusta a Cuba revolucionária dos bancos da OEA, sofreu uma derrota política e saiu pelas portas do fundo. A participação do presidente Raul Castro, após o reatamento recente das relações Cuba-EUA, foi um dos pontos altos. O seu discurso percorreu os fatos e a experiência histórica da revolução cubana, deixando claro que por esse “delito” foi segregada econômica e politicamente pelos EUA; o povo cubano busca a paz, mas não renuncia a seus ideais socialistas; ao contrário, reafirma seu apoio solidário à Venezuela e a todos os governos soberanos e constitucionais como Argentina (contra as ameaças britânicas nas Malvinas) e Brasil (frente à campanha golpista). Vários mandatários deixaram claro que o reconhecimento de Cuba não é um favor dos EUA e nem produto de um acordo entre governantes, mas uma conquista de um povo digno que resistiu defendendo a revolução, diante da penúria imposta pelo bloqueio, e das ameaças internas e externas a apenas 90 milhas da costa; é resultado de uma nova América Latina e Caribenha, unida e decidida a não ser mais o “quintal traseiro” dos EUA.

O percurso de soberania latino-americana até chegar a esta VII Cúpula das Américas teve um início decisivo em 2005, quando em Mar Del Plata (Argentina), a união de Nestor Kirchner com Hugo Chávez e Lula desmontou W. Bush e a ALCA, e deu início ao processo que levou à formação de organismos insubordinados à hegemonia dos EUA, como a ALBA, UNASUL e CELAC (2010).

O nível qualitativo desta Reunião partiu destas premissas de integração de governos latino-americanos e caribenhos, que nestas últimas décadas se rebelaram ao neoliberalismo, e lhe opuseram projetos econômico-sociais voltados à erradicação da miséria, do analfabetismo, a reforçar o papel de Estados revolucionários, a dignificar os pobres, com saúde, educação, alimentação e moradias descentes. O novo eixo passou a insubordinar-se ao FMI, ao Banco Mundial,  criando alternativamente o Banco do Sul, estabelecendo mútuos acordos de cooperação econômica e transcontinentais, com o BRICs, a China e a Rússia e o Irã. A Rússia acaba de ter um papel importante no BRICs e criar o Banco de Desenvolvimento. Essa é a conjuntura que leva os EUA, possuidor do maior orçamento militar do mundo (610 bilhões de dólares, 7 vezes o da Rússia e 3 vezes o da China), a decretar Venezuela uma ameaça. A América Latina unida, é uma ameaça político-social à hegemonia norte-americana. A Venezuela, a partir de 1998, com Hugo Chávez e sua política exterior, internacionalista, passou a ser um centro de articulação de novos governos de esquerda e progressistas. Por isso, é verdade, como dito por Raul Castro, que os EUA querem fazer com a Venezuela de Chávez/Maduro, o que fizeram com a Cuba de Fidel.  Venezuela é um centro de resistência, um farol integrador desta era, uma esperança, um exemplo de dignidade e sobretudo de organização cívico-militar, de democracia representativa e participativa com transformação social.  

Conseguir recolher em poucos dias 11 milhões de assinaturas e mais de 3 milhões em Cuba (durante a Campanha “Obama, revoga já o Decreto contra a Venezuela!”) não é um ato simbólico, é uma demonstração do nível mínimo de decisão, de repúdio à impunidade imperial, de união e capacidade de mobilização do governo e povo venezuelano, e latino-americano. Hoje a Campanha eclodiu a favor da Venezuela, amanhã será pelas Malvinas argentinas, e, depois, pelo Pré-sal do povo brasileiro.

Os 33 dos 35 países participantes deram um contundente “não” à tentativa de ingerência dos EUA nos assuntos internos dos países, desrespeitando sua soberania e a legalidade constitucional (o governo venezuelano passou pela prova de 19 eleições, vencendo 18), reiteraram o pedido de fim do bloqueio econômico contra Cuba, e declararam que o Decreto dos EUA contra a Venezuela viola a própria Carta da OEA (Capítulo II, artigo 3, letra E). Não obstante esta opinião majoritária, a VII Cúpula das Américas não tirou nenhuma declaração comum, por oposição de 2 países: EUA e Canadá. Isso, na contramão do tom da maioria, que contou com persuasivas intervenções de Cuba, Equador, Argentina, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Brasil e tantos outros para os quais não bastam mais Reuniões de Cúpula, discursos, diplomacia, nem tapas nas costas.

Rafael Correa, chamou ao papel que a CELAC deve assumir como expressão verdadeira dos países e povos Latino-americanos e caribenhos, diante da OEA que demonstrou nestes 53 anos (ao excluir Cuba da OEA) ser instrumento dos EUA; propôs reforçar a CELAC e deixar a OEA somente para processar diferenças ou consensos entre a CELAC e o bloco dos EUA. De fato, há uma dificuldade, um percurso ainda a ser cumprido entre esta Cúpula e os atos. Obama, recuou na condenação à Venezuela, mas preferiu não ouvir todos os discursos e reclamos da América Latina, e reduzir-se aos encontros bilaterais (com Raul Castro, Maduro, Dilma e outros), sem assinar nenhum documento. Pode-se dizer que esta nova frente Latino-americana não deu o gol, mas está em pleno ataque. Obama, recebeu o recado de que é melhor surfar nesta onda para o próximo embate eleitoral de Democratas versus Republicanos e voltou com a proposta ao Congresso de retirar Cuba da lista dos países terroristas. Mas, ainda há que ver o quanto está disposto a enfrentar os “falcões” da guerra para revogar o Decreto contra a Venezuela, sobretudo porque Maduro lhe deixou claro, que o primeiro ponto de negociação é que Obama deve aceitar que a revolução bolivariana é um fato, e anular o Decreto contra Venezuela. Raul Castro deu taticamente um voto de confiança, ou uma chance a Obama, apoiando-se nas divisões internas da direção norte-americana, recordando que quando Kennedy estava por firmar um acordo com Fidel, o mataram. Daniel Ortega, assinalou que a política norte-americana não é questão de um indivíduo, mas de um sistema imperialista, cuja meta é a exploração de seres humanos, o lucro e a guerra.  Maduro, na Plenária disse com vigor: “Presidente Obama, eu o respeito, mas não confio em você!”. Ao mesmo tempo, lhe estende as mãos, e faz um chamado a desativar os conspiradores aninhados na embaixada norte-americana em Caracas e nos prófugos de Florida.

Cristina Kirchner, detonou sem concessões contra qualquer tentativa de EUA abafar o debate em retóricas do tipo “prosperidade para criar igualdade”, ou “paz, democracia, liberdade de expressão de minorias”, que apagam fatos históricos (como pretendia Obama ao contestar o discurso de Rafael Correa) onde os governos norte-americanos têm mãos sujas de sangue, escravidão, racismo, guerras de dominação. Ninguém esquece, nem o povo norte-americano, a barbárie contra Hiroshima, Nagasaki, Vietnã, Ilhas Malvinas, Iraque, Iugoslávia, Afeganistão, Palestina, Líbia, e as ameaças hoje contra Síria e Venezuela. Não se pode apagar o passado, para entender o presente e construir o futuro. Neste sentido, foi exemplar o gesto de Maduro, que visitou, no dia anterior à Reunião de Cúpula, o bairro de Chorrillo (Panamá), que em 1989, foi destruída impiedosamente pelo bombardeio norte-americano, com o pretexto de destituir o presidente narcotraficante, Noriega, posto pelo próprio EUA. Foram quase 500 mortos como cobaias de armas radioativas usadas a seguir no Iraque. Maduro, denunciou na Cúpula e levou-lhe o pedido dos familiares das vítimas para ressarcimento pelos EUA como crime de guerra. A grande imprensa oculta e se alia aos que querem ignorar a história, pois o bombardeio de Panamá foi o contraexemplo de como se resolve o problema do narcotráfico. Como ressaltado por Cristina Kirchner, são os paraísos fiscais, os Bancos dos países desenvolvidos, os maiores consumidores de drogas, os que fazem lavagem de dinheiro; não são os países, nem os Bancos dos países produtores. As ameaças de guerra contra o narcotráfico na Colômbia, são pretextos de ocupação, não soluções, como diz Cristina, que  já deu mostras de como se enfrentam os Fundos Abutres.

Vale informar que paralelamente a esta Reunião, ocorreu no Panamá a chamada Cúpula dos Povos, com 3.500 delegados de movimentos sociais, sindicatos e estudantes da América Latina e do Caribe, onde foi acolhida uma numerosa delegação cubana; esta, acompanhou Raul Castro e membros do governo, para testemunhar o heroísmo da revolução, suas conquistas e a solidariedade internacional que Cuba “terrorista” proporciona ao mundo, na erradicação da ebola na África, no envio de 65 mil (entre médicos e educadores) a 89 países, incluindo o Brasil. Esta Cúpula dos Povos contou ao início com a presença de Evo Morales, e ao final com Nicolás Maduro e Rafael Correa, interagindo governos de esquerda e movimentos sociais.  Nesta instância, eles foram bem contundentes, particularmente Rafael Correa a não baixar a guarda. O alerta de Chávez da famosa frase, “rodillas en tierra” está vigente.  As experiências de união-cívico militar em defesa destes processos revolucionários e o Conselho de Defesa Militar da América Latina, ao lado da Unasul e Celac, a união das Forças Armadas dos países da Unasul contra uma possível invasão da IV Frota em qualquer país Latinoamericano e caribenho estará na ordem do dia.  O Irã não se ilude com o acordo nuclear e as promessas de ruptura do bloqueio econômico por parte da Europa e EUA e assina acordos com a Rússia que cancela o veto à entrega de mísseis ao Irã, que lhe vende petróleo em troca de equipamentos. Não há ilusões de que é o sistema capitalista internacional anglo-americano que financia o Estado Islâmico, a direita na Ucrânia, o ataque ao Yemen, a desestabilização da Síria e uma pretensa ocupação das Malvinas. http://www.aporrea.org/tiburon/n268556.html

Esta VII Cúpula das Américas, televisionada ao vivo por Telesul, compartilhada por RT (russa), merece ser acompanhada mesmo a posteriori por quem não pôde assistir. É muito difícil descrever e dar a entender a importância histórica desta reunião que expressa uma nova relação de forças mundial, detendo-se somente em acordos ou acertos finais (não escritos), sem ouvir os discursos, de alta qualidade e nível político dos presidentes de esquerda deste continente, que já atuam como uma equipe de quadros, deixando claro que não há ilusões sobre a natureza de classe do império. Normalmente dizemos: “Basta de discursos. Queremos ações!”. Mas há discursos como estes que são resultados de ações e preparam novas ações. Ações de amor à humanidade, com firmeza e ternura, presentes no gesto do presidente Nicolás Maduro que evoca nesta vitória de Cuba o legado de Chávez, e de Fidel, e lhe rende visita em Havana, logo após a Reunião das Américas. O que haverá pensado Eduardo Galeano (que firmou a petição “Obama, revoga o decreto contra Venezuela”) deste “time de futebol” latino-americano e caribenho, ao dar seu último suspiro após este evento histórico?

H. Iono
15-04-2015

Assistam os vídeos dos principais discursos:
https://www.youtube.com/watch?v=EEvPnClXUx0     VII Cumbre das Américas - Discurso de Raul Castro presidente de Cuba

 https://www.youtube.com/watch?v=Oz_q6ZoLkSg      VII Cúpula das Américas - Discurso de Nicolás Maduro presidente da Venezuela

 https://www.youtube.com/watch?v=9mH47EsSQ30 VII Cúpula das Américas - Discurso de Cristina Fernandez Kirchner presidente da Argentina

https://www.youtube.com/watch?v=qoVJOqUMGoI VII Cúpula das Américas - Discurso de Rafael Correa presidente do Equador

https://www.youtube.com/watch?v=qb6gQDNCVqA VII Cumbre das Américas - Discurso de Evo Morales presidente da Bolívia
 
https://www.youtube.com/watch?v=zkR1jBtAQJs
  VII Cúpula das Américas - Discurso de Dilma Rousseff  presidente do Brasil 

https://www.youtube.com/watch?v=jHR4NL_X-90 VII Cúpula das Américas - Discurso de Daniel Ortega presidente de Nicarágua


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